Projetos de arte e cultura fortalecem eixo pedagógico da rede estadual

dance
O fortalecimento do eixo pedagógico nas escolas tem como um dos pilares o fomento a projetos estruturantes de arte e cultura, que diversificam os saberes nos currículos escolares; garantem o direito dos estudantes ao conhecimento e à cultura; dinamizam o ambiente escolar; e promovem o protagonismo estudantil. Foi com este objetivo que a Secretaria da Educação implantou o Escolas Culturais em 85 colégios da rede, na capital e no interior. O projeto transforma as unidades escolares em centros culturais, na medida em que incrementa a arte e a cultura no currículo e alia a oferta de cursos de qualificação nas respectivas áreas.
O Escolas Culturais também abre as unidades escolares para a comunidade, além de reconhecer e requalificar a escola como um espaço de circulação e produção da diversidade cultural do Território de Identidade onde está inserida. As ações de requalificação envolvem reformas para a adaptação de estruturas e a aquisição de novos equipamentos para a projeção de audiovisual, realização de apresentações artísticas e internet banda larga, visando o desenvolvimento de programas de rádio e ações de estímulo ao empreendedorismo.
O Colégio Modelo de Bom Jesus da Lapa foi uma das unidades escolares a receber o projeto neste ano e tem mudado a cena cultural da cidade com várias atividades, a exemplo do Encontro das Artes. Protagonizado pelos estudantes dos cursos técnicos de nível médio em Teatro e Música, o encontro aconteceu no Teatro Municipal Ivonildes Fernandes de Melo, aberto ao público, e envolveu a encenação da peça ‘Velho Chico, histórias, contos e lendas’, a exposição fotográfica do projeto ‘Teatro itinerante interiores’ e duetos musicais em homenagem a artistas locais. A estudante Fabrícia Cordeiro falou sobre a iniciativa para a sua formação técnica: “Isto nos ajuda a mostrar para a comunidade tudo que estamos aprendendo em sala de aula e a movimentar a cena cultural do município”, destacou.
O Escolas Culturais é executado em parceria entre a Secretaria da Educação do Estado com as Secretarias de Cultura (SECULT) e da Justiça, Cidadania, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SJDHDS) e conta com a efetivação do coordenador cultural em parceria com o Núcleo Estadual de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (NEOJIBÁ). A coordenadora cultural do projeto no Colégio Modelo de Xique-Xique, Makileide Oliveira, explicou como o trabalho está sendo desenvolvido: “O cenário cultural na nossa cidade é riquíssimo e esta iniciativa promove a valorização das atividades que são realizadas nas comunidades e na zona rural, ampliando o conhecimento dos alunos com sua própria realidade. Essa interação fortalece o aprendizado e a cultura regional”.
Estudantes criadores - Os projetos de arte, cultura, ciência, inovação, esporte e empreendedorismo nas escolas estaduais estimulam a criatividade e fazem dos estudantes verdadeiros artistas ao materializarem em telas, poemas, músicas ou tecnologias sociais (aquelas de baixo custo e de grande alcance social) suas criações. Estes projetos, chamados de estruturantes, abrem as escolas para ações que envolvem as famílias e as populações do entorno, pois acontecem nas etapas escolares e territoriais e culminam no Encontro Estudantil da Rede Estadual, em Salvador. Entre 2015 e 2017, o Encontro Estudantil alcançou um público estimado em 78.600 visitantes. Na sua 5ª edição, em novembro de 2017, mais de 6.900 estudantes criadores, de 1.109 unidades, se apresentaram na Arena Fonte Nova. O evento sempre é aberto às famílias e ao público.
Durante os três dias do Encontro Estudantil, abre-se espaço para as apresentações de música, artes visuais, literatura, cinema, patrimônio,  esportes, dança e ciências, além de projetos voltados a áreas como Matemática, Educação Profissional e Educação de Jovens e Adultos. Entre outras ações formativas e educativas, desenvolvidas nos contextos escolares, estão os projetos estruturantes que se caracterizam como políticas culturais com a juventude estudantil: Festival Anual da Canção Estudantil (FACE), Mostra de Artes Visuais Estudantis (AVE), Sarau do projeto Tempos de Arte Literária (TAL), Mostra das Aventuras Patrimoniais (EPA), Mostra de Vídeos Estudantis (PROVE), Mostra de Dança Estudantil (DANCE), Mostra de Canto Coral Estudantil (ENCANTE) e Festival Estudantil de Teatro (FESTE).
O Encontro Estudantil ainda contempla Jogos Estudantis da Rede Pública (JERP), Feira de Ciências, Empreendedorismo e Inovação da Bahia (FECIBA), exposição de projetos da Educação Profissional e Tecnológica e o Encontro de Líderes de Classe, além das experiências desenvolvidas pelo Centro Juvenil de Ciência e Cultura, pela Rede Anísio Teixeira e pelo Programa Todos pela Alfabetização (TOPA).
Estes projetos também oportunizam os estudantes finalistas a se apresentarem em eventos da área, como as Festas Literárias de Mucugê (FLIGÊ) e a Internacional de Cachoeira (FLICA). Quem participa dos projetos guarda a experiência para sempre. É o caso das irmãs Mayana e Mayane Barbosa, de Saubara, que foram finalistas do FACE. “É um ganho muito grande e emocionante ter participado do FACE”, disse Mayana. “A gente se envolveu com a arte musical no Colégio. E o FACE abriu as portas para a participação em outros eventos, como a nossa apresentação na FLICA (Festa Literária Internacional de Cachoeira). O sentimento é de orgulho, felicidade e gratidão “, acrescentou Mayane.
Protagonismo – O protagonismo estudantil é, igualmente, evidenciado por meio do engajamento de estudantes da rede estadual em projetos como o Jovem Senador. Neste ano, a estudante do 3º ano do Ensino Médio, Layane Michelle Silva Souza, 17 anos, do Colégio Estadual Antônio Figueiredo, em Ibiassucê, foi a baiana selecionada para participar do projeto, em Brasília, ao participar do 11º Concurso de Redação do Senado Federal com o tema “A Constituição Cidadã 30 anos depois”.
Na semana de 19 a 24 de novembro, Layane atuou como jovem senadora e realizou cursos para aprofundar seus conhecimentos sobre o trabalho legislativo. “Acredito que o jovem, como cidadão do futuro, tem que estar consciente dos seus direitos e deveres e foi disto que eu falei. Agradeço muito a professora de Língua Portuguesa, Ana Maria Cardoso, pelo incentivo e pela orientação na produção da redação”, ressaltou.
#TransformaÊ – Virada Educacional Bahia
As experiências oportunizadas pelo projeto TransformaÊ – Virada Educacional Bahia são, igualmente, marcantes para estudantes, professores, técnicos e famílias. Por meio deste projeto, a comunidade escolar, da capital e do interior, se envolve, durante 12 horas seguidas, em ações pedagógicas com arte, cultura, esporte e ciências.
No Colégio Estadual Senhor do Bonfim, em Salvador, por exemplo, o TransformaÊ, deste ano, proporcionou uma grande homenagem ao escritor itabunense Jorge Amado. A unidade escolar foi toda enfeitada com muito colorido, as turmas ganharam nomes das obras literárias e os estudantes se caracterizaram de personagens históricos do ilustre escritor, como Gabriela e Tieta do Agreste. “Gosto de atividades como esta, pois nos acrescenta muito conhecimento, criatividade e a escola fica mais dinâmica e unida”, comentou Wallace Lopes, 18, 3º ano do Ensino Médio.
Grafitagem nas escolas – A arte da grafitagem é outra ação pedagógica que tem imprimido um colorido especial nas escolas estaduais por meio do Grafitaê: escola conta e pinta a sua história. O projeto busca dialogar com a cultura urbana na medida em que aproxima a realidade dos estudantes à escola por meio da história de vida deles e da comunidade. Ao mesmo tempo, o Grafitaê incentiva a liberdade de expressão, a criatividade, a interação coletiva e o empoderamento juvenil.
O projeto trabalha a arte de forma multidisciplinar, pois além das intervenções de grafitagem nos ambientes escolares, os estudantes participam de seminários e debates sobre temas que fazem parte da vida em sociedade, tais como respeito à diversidade; combate ao racismo, ao machismo e ao sexismo; e empoderamento juvenil, negro e feminino.